Arquivo mensal: novembro 2014

A Culpa é das Estrelas por John Green

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Hazel Grace é uma garota de dezesseis anos com câncer terminal, ela deveria ter tido só mais alguns meses de vida após seu diagnostico anos atrás, mas graças a uma droga experimental seu câncer diminui significativamente a dando mais alguns anos para serem gastados pensando em quando iria finalmente morrer e relendo o mesmo livro até que ela conhece Augustus Waters, um garoto de dezessete anos que perdeu uma perna para o osteosarcoma. Assim os dois começam uma história inesperada de amor, amizade e crescimento pessoal.

Logo na primeira frase do livro eu já me apaixonei pela Hazel, e o principal fator para isso foi que eu consegui identificar eu mesma aos dezesseis anos em tantas ações e sentimentos dela: como ela se encontra em um livro e usa aquilo como um desvio da realidade, o sentimento de que ela é um fardo para os pais, a sensação de distanciamento com amigos antigos. Ok, provavelmente eu não tinha tantos momentos filosóficos e profundos, mas enfim.

E Augustus por outro lado me fez ter sentimentos completamente contraditórios. Por um lado eu conseguia entender a ideia dele de que se não se fosse reconhecido durante a vida por algo que se fez você teria tido uma vida insignificante – e no meio da nossa sociedade de 7 bilhões de pessoas é muito fácil sentir como se essa ideia fosse verdade, como se nosso dia a dia fosse insignificante no final das contas. Mas ao mesmo tempo Augustus com suas metáforas e discursos decorados me fez revirar os olhos com sua ideia de que para algo ser memorável precisa ser tão… Perfeito.

E eu adorei que Hazel e Augustus tinham ideias tão diferentes sobre o mundo e como viver a vida em algumas partes, o que fazia com que eles tivessem discussões filosóficas sobre o sentido da vida e câncer e amor e amizade que eu definitivamente nunca tive aos meus 16 anos, mas bom é um livro. Eu também gostei como no começo eu pensava que quem precisa de alguém era a Hazel, que ela tinha uma necessidade de ter alguém que a entendesse, mas no final das contas acredito que Augustus tenha sofrido um impacto tão grande quanto (se não maior) ao deixar ela entrar na sua vida, e mostrar outro jeito de pensar e agir diante da vida.

Como todo livro do John Green esse livro tem uma voz que só ele tem, uma voz que ao mesmo tempo é jovem e cheia de emoção mas que também tem o poder de passar uma mensagem que vai muito além das páginas do livro, esse livro me fez eu me encontrar em tantas partes e ao mesmo tempo me mostrou uma forma de pensar nova.

Esse livro é o mais pretensioso e ambicioso da carreira do John Green, e eu não acredito que todos iram gostar, é extremamente difícil apontar pessoas que iram aproveitar essa leitura, mas em ultima instancia: tente pelo seu próprio risco – eu fiz isso e não me arrependo! O livro foi lançado no Brasil em 2012, pela editora Intrínseca.

A Seleção por Kiera Cass

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America Singer é uma cantora de casta cinco (a casta de todos artistas) que sonha em se casar com o amor da sua vida, Aspen um garoto de casta seis e viver feliz para sempre. Mas tudo muda quando ela é convocada para se inscrever n'”A Seleção”, que é uma competição para decidir quem vai se casar com o Príncipe Maxon e se tornar a mais nova princesa de Illeá. America não queria entrar nesse concurso, mas não é como se ela pudesse negar o dinheiro que sua família teria se ela conseguisse entrar e após Aspen a fazer prometer pelo menos tentar concorrer ela não tem nenhuma escolha além de se inscrever, e o que America menos esperava acontece: ela é selecionada e agora vai ter que lutar contra 35 garotas pelo coração de Maxon, mas será que ela vai conseguir deixar Aspen, seu grande amor, para trás  e se apaixonar pelo príncipe?

Ah, esse livro me deixou com sentimentos totalmente embaralhados, por um lado foi extremamente divertido ler esse livro, mas por outro eu acho ofensivo classificar ele como uma distopia. Vamos falar do ruim primeiro, esse livro é chamado como uma distopia porque ele se passa em um futuro distante em que o mundo já passou por várias guerras e mudou totalmente criando esse novo país criado Illeá. Ok, tudo bem, mas agora me diz qual é o sentido das castas? Eu tive o mesmo problema com Divergente, autores parecem pensar que distopia é simplesmente criar um universo na cabeça e aplicar ele, mas distopia tem um sentido e o sentido é: extrapolar algo da nossa realidade atual e mostrar como seria no futuro. Dentro desse sentido as castas são completamente inúteis, veja bem, no livro quem nasce como a America na casta 5 tem que ser um artista, a pessoa não tem escolha e o mundo atual não funciona assim, sim pessoas que são criadas com pais médicos por exemplo tem grandes chances de se interessarem pela carreira médica mas elas não são obrigadas a isso, e também não existe o menor sentido de porque o governo iria querer que as coisas fossem assim, se ainda fosse com serviços relacionados a sobrevivência/funcionamento da sociedade como comida, construção, serviços públicos eu poderia entender, mas agora com artistas? Porque é obrigado a existir tantos artistas em uma sociedade que mal consegue se sustentar?

Outra coisa que também não fez sentido foi com relação a informação do controle de natalidade, foi dito no livro que as castas mais elevadas (e consequentemente mais ricas) tem conhecimento de como controlar o nascimento de vários filhos, mas outras castas mais baixas (como do 5 ao 8) não é disponibilizado o conhecimento de como não engravidar. Eu não entendo porque em um país em que boa parte da população esta passando fome o governo iria escolher não distribuir essa informação e em nenhuma parte do livro foi dado um bom motivo. E também, as pessoas dessa distopia continuam sendo seres humanos,  se as pessoas não tem acesso a camisinha o mais provável é de que esse país sofreria de uma epidemia de alguma doença sexualmente transmissível.

Ainda outra falha desse mundo distópico foi o fato de que obviamente o país é governado por um rei, tendo um sistema monárquico em que seu descendente é automaticamente o descendente do trono, e durante o período que a America fica no castelo ela sempre fala do “rei e seus conselheiros”, mas quando ela esta na sua cidade ela fala em um prefeito, agora me diz em que tipo de sistema monárquico existe um prefeito? Nenhum, presente em nenhuma parte da história até os dias de hoje, então era de se esperar uma explicação da Kiera para se ter um rei e um prefeito né? Mas é claro que não tem.

Outra coisa que me chamou a atenção como algo ruim da história, mas não relacionado a distopia, foi o jeito com que as garotas foram retratadas no livro. Eu não me considero nenhuma feminista, mas eu não consegui não ficar incomodada com o retrato feminino que foi passado nesse livro. Veja bem, por um lado nos temos America, nossa protagonista que não gosta de joias, maquiagens e vestidos exagerados, que fica mais feliz ao usar um par de calças jeans do que um vestido de festa cheio de brilhos. Por outro nos temos Celeste, uma garota sexy, que adora decotes, vestidos brilhosos e joias, o completo oposto de America. E eu não tenho problema nenhum com o estilo de nenhuma das duas, pessoas diferentes tem gostos diferentes, mas a mensagem que esse livro passou foi que garotas que usam decotes e gostam de se vestir para chamar a atenção são as garotas más e que garotas que preferem se vestir de um jeito mais simples são as boas, é um slut-shaming sutil, mas que não deixa de estar presente e me decepcionou bastante já que esse é um livro voltado para adolescentes.

Bom, e apesar de tudo isso que eu falei de ruim do livro eu ainda consegui terminar ele, aproveitar algumas partes e decidir continuar com a série. O livro é totalmente focado na Seleção, no dia a dia do castelo e no romance, o que faz a leitura ser super rápida (eu não levei nem dois dias lendo ele) e a escrita da Kiera te faz entrar na história.

Sobre nossa personagem principal, America, eu gostei bastante dela na maior parte do livro, com sua personalidade explosiva e sua honestidade bruta foi fácil torcer para que ela se desse bem no castelo. Os outros personagens não tem muito desenvolvimento, as outras garotas da seleção são mostradas de forma bem superficial e somente em momentos oportunos para preencher as páginas, se todas America não falasse com nenhuma delas não iria mudar a história, e o príncipe Maxon é basicamente o perfeito interesse amoroso, eu já disse na minha resenha de “O Príncipe” que ele se parece muito com Edward, de “Crepúsculo” por ser uma espécime perfeita.

Eu recomendo esse livro para quem está buscando por uma leitura que não seja necessário usar nenhum neurônio, é um livro só para relaxar mesmo e se você encuca com as falhas que eu citei acima fique longe. O livro foi publicado aqui no Brasil em 2012, pela editora Seguinte.

 

 

 

The Vanishing Season por Jodi Lynn Anderson

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Maggie é uma garota que cresceu em Chicago, que acaba tendo que se mudar com seus pais para uma casa no interior depois da mãe perder o emprego durante a crise financeira de 2008, o que ela não esperava era que fosse encontrar amigos lá e com certeza não tinha ideia da importância que essas pessoas teriam na sua vida. Com uma toque sobrenatural, The Vanishing Season conta uma história muito comum: amizades, primeiros amores e crescimento pessoal, mas de uma forma tocante que vai fazer você se apaixonar por esse livro.

Apesar de Maggie ser sempre observada por um fantasma – que nos não sabemos quem é -a parte paranormal desse livro não é realmente tão relevante para a história, a parte também dos desaparecimentos das garotas não é um fator decisivo para a história. Esses dois elementos estão ali basicamente para despertar um sentimento inquietante, para nos mostrar a banalidade e aleatoriedade da vida.

A trama desse livro é completamente parada, eu não consigo dizer nada sobre ela porque é só o dia a dia de Maggie nessa cidade nova, dela criando laços seus novos amigos, dela se apaixonando e tendo seu coração partido. Esse livro é provavelmente o livro mais parado que eu já li, mas é a minha leitura favorita de 2014 e porque disso? Os personagens.

Jodi Lynn Anderson tem um dom incrível de escrever personagens extremamente reais, é quando eu leio um livro como esse que eu noto o quanto é difícil capturar em palavras a natureza humana com todas as suas falhas e beleza, mas a autora conseguiu isso – a escrita também é um ponto alto do livro, porque não seria possível escrever uma história tão realista sem um dom extraordinário e como sempre eu marquei o meu ebook com várias e várias passagens.

Esse livro é totalmente devotado ao desenvolvimento dos três personagens principais e na sua dinâmica juntos. Eu tenho que dizer que nem sempre eu amei eles, na realidade em vários momentos odeie todos, mas também amei eles em vários outros basicamente eles são pessoas que cometem erros e tem sentimentos que nem sempre mostram o melhor lado deles, mas assim são todas as pessoas e isso só fez com que eu me importasse mais com os personagens.

Eu recomendo esse livro para todos leitores que querem um livro tocante, lindo e  que lhe dará um montanha russa de sentimentos, mesmo se você odeia livro parados eu ainda recomendo que tu de uma chance a esse aqui porque ele definitivamente não é semelhante a nenhum outro por ai. O livro foi publicado nos USA em julho, pela HarperTeen.

 

 

Tocada Pelas Sombras por Richelle Mead

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Apenas dois meses depois do acontecimento em Spokane, Rose descobre a noticia de que Victor Dashkov passara por um julgamento que irá decidir se ele será condenado ou não e logo após ao receber essa notícia ela vê Mason, mas provavelmente isso foi só culpa do stress que a noticia a causou certo? É o que parece a principio, mas a cada dia que passa Rose se vê mais no limite emocional do que nunca e a visão de Mason (e outros fantasmas) se torna frequente, será que Rose está enlouquecendo devido ao seu stress emocional? Ou é outra coisa?

Tocada pelas sombras é apenas o melhor livro dessa série, se você gostou dos dois primeiros você vai amar desesperadamente esse e se você não estava decidido se gostava da séria ou não leia esse volume e se surpreenda. Eu não era uma fã da série até esse volume, curtia ler as histórias porque eu gosto de livros paranormais, mas não era nenhum prioridade, mas depois desse livro eu decidi que vou devorar todos os livros que a Mead escrever!

Essa história foi uma montanha russa de emoções, depois do final de “Aura Negra” eu não tinha mais dúvidas de que Mead sabia como passar emoções fortes através da sua escrita, mas nesse livro ela se superou. O principal ponto que a escrita dela se destacou foi ao descrever a Rose e seus sentimentos nesse livro, a nossa personagem principal não está nada bem emocionalmente, depois de já ter passado por maus bocados ela parece estar perdendo o controle – com mudanças de humor entre irritação, tristeza e solidão -, Rose se vê tento que segurar a barra enquanto lida com a pressão da Academia: enfrentar seu ultimo teste para se formar e ser guardiã de Lisa.

Outros personagens também tiveram a sua vez, Adrian está na Academia treinando junto com Lisa para desenvolver seu dom do Espirito e eu tenho que dizer que esse garoto está me ganhando cada vez mais, depois desse livro fiquei morrendo de vontade de começar a sua série. Christian também teve a sua chance de brilhar nesse livro e eu amo ele agora, simples assim, depois de ler esse livro você vai me entender.

O romance entre Dimitri e Rose fica a cada vez mais difícil de negar, Rose se mostra cada vez mais madura e a atração entre os dois é inegável nesse volume, Dimitri também parece a cada vez entender mais e mais ela e é simplesmente maravilhoso ler um romance em que a parte masculina da relação confia e admira tanto o seu oposto.

 

E acima de tudo a emoção que esse livro me trouxe, eu não consigo fazer justiça a todos os sentimentos que tive ao ler esse livro: alegria, dor, pânico, medo, foram tantos momentos em que fiquei virando as páginas desesperadamente para saber o que iria acontecer e nada me preparou para aquele final, foi épico e lindo e triste tudo ao mesmo tempo.

Recomendo esse livro para todos os amantes da série e amantes de histórias com vampiros. O livro foi publicado no Brasil em 2010, pela editora Agir.

 

 

 

 

A Thousand Pieces of You por Claudia Gray

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Marguerite é a filha de dois físicos que inventaram o Firebird, um dispositivo que consegue viajar entre diferente dimensões – isso mesmo outros infinitos universos existem com infinitas possibilidades – e quando seu pai é assassinado, Marguerite vai atras do assassino – Paul, um estagiário do pai e amigo dela – em uma corrida entre dimensões para vingar a morte de seu pai e descobrir os motivos que o levaram a fazer isso.

O aspecto cientifico dessa história é bem simples, mas não me decepcionou – eu não sou aquele tipo de leitora que se atem a detalhes em seus livros de ficção cientifica então não me incomodei pelas descrições, por vezes, vagas de como a viagem no tempo era possível e como ela funcionava. Mas no final teve uma parte que me incomodou bastante e eu não entendi como aquilo era possível, mas essa foi só uma parte pequena das desilusões que eu tive com o livro.

A maior decepção que eu tive com a história foi a excessiva trama no romance. No começo nos já somos introduzidos em uma Londres futurística e a trama já está se desenrolando na nossa frente e temos que acompanhar – o que foi um começo ótimo. Mas assim que Marguerite troca de dimensão e vamos para um Russia “atrasada” a história ficou entendiante e focada totalmente no romance entre dois personagens, eu não tenho nada contra romance nos meus livros, mas essa parte foi um coma de açúcar. E o mistério também sobre os Firebirds e a morte do pai de Marguerite fica esquecido até as ultimas 50 páginas ou por ai, o que me deixou super entendiada pela maior parte da leitura.

No fim das contas esse livro não é ruim, mas ele não apresentou nada extremamente único, quase todos os twists da trama foram previsíveis  e os personagens não são originais. Eu acredito que fãs de series como “A Seleção” podem gostar bastante desse livro por toda a história do romance inevitável. O livro foi publicado hoje em inglês, pela Harper Teen.

 

Esse livro era fácil um dos meus livros mais esperados desse ano, a premissa parecia incrível

O Príncipe por Kiera Cass

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O Príncipe faz parte da trilogia “A Seleção”, nesse conto nos vemos o começo da história da seleção pelos olhos do príncipe Maxon. A história se passa no período um pouco antes da seleção começar e vai até o primeiro dia da seleção, ela em si não tem nada relevante exceto para aqueles que querem conhecer mais sobre como Maxon pensa, sua personalidade, mas não adiciona nada para a série.

Bom, quando eu li esse conto não tinha começado ainda a ler a trilogia, mas já tinha ouvido falar muito bem (e muito mal) dela, então quando vi que o ebook de “O Príncipe” era gratuito na loja Kobo eu não perdi a chance de baixar ele e descobrir mais sobre esses personagens e acabei decepcionada.

Não me leve a mal, eu sei que a maior parte das pessoas que leu a série amou esse conto porque Team Maxon 4ever ❤ e tal, mas eu achei que esse príncipe sofre de uma síndrome de Edward. Como assim, síndrome de Edward tu me pergunta e eu te explico: se lembra daquela história super popular em 2008 chamada “Crepúsculo”? Pois é, o interesse amoroso se chamava Edward e ele era basicamente uma espécime perfeita e idealizada de como uma garota de 14 anos queria que o seu futuro namorado fosse e isso o torna um personagem extremamente não realista.

Maxon parece sofrer dessa síndrome também já que nas 96 páginas desse conto ele pensou mais em “amor verdadeiro” do que eu aos 14 anos depois de ler “Crepúsculo”, tudo bem talvez o cara só seja sensível mesmo, mas eu não consigo engolir um personagem que supostamente é um príncipe de um País que vive em guerra com rebeldes iria pensar 24/7 em encontrar seu amor. Ou talvez eu só tenha lido muito George R. R. Martin.

Mas apesar disso eu decidi continuar com a série porque eu amei a narrativa da Kiera, ela realmente me deixou entrar na história e sentir as coisas, apesar de ser extremamente curto eu senti uma conexão real entre Maxon e sua mãe, e a sua necessidade de aprovação pelo pai.

O conto foi publicado no Brasil no formato de ebook em 2013 e na edição impressa (junto com o outro conto da série “O guarda”) em 2014, pela editora Seguinte.