Arquivo da categoria: Resenhas

Cidade dos Ossos por Cassandra Clare

29739822

Cidade dos Ossos por Cassandra Clare
Série: Os instrumentos mortais #1
Publicado em 2010 pela Galera Record

Sinopse: CIDADE DOS OSSOS nos apresenta Clarissa, uma adolescente típica: aos quase 16 anos mora com a mãe, uma jovem artista viúva. Tem um “tio” postiço, Luke, que de certa forma ocupa o lugar do pai e um melhor amigo, Simon, que nutre por ela uma paixão secreta. Quando Simon e Clary visitam um clube, a menina vê três adolescentes matarem um rapaz. Há, porém, dois grandes problemas: ninguém acha o corpo e apenas ela vê os tais assassinos.

Sua vida muda completamente. A mãe é raptada por demônios e ela descobre a existência dos Caçadores das Sombras, guerreiros cuja missão é proteger o mundo que conhecemos de bestas e outras criaturas. Vampiros que saem da linha, lobisomens descontrolados, monstros cheios de veneno? É por aí mesmo. E depois desse primeiro contato com o Mundo de Sombras, e com Jace — um Caçador que tem a aparência de um anjo, mas a língua tão afiada quanto Lúcifer —, Clary nunca mais será a mesma.

É difícil resenhar sobre Cidade dos Ossos, porque eu já li toda essa série e seu spin-off e agora estou revisitando esse mundo porque ao acabar todos os episódios da série de tv fiquei com uma saudade tremenda desse mundo. A releitura não me decepcionou, esse ainda é o livro mais fraco da Cassandra Clare, na minha opinião, mas eu amo tanto esses personagens que qualquer história com eles é algo que eu não deixo de aproveitar.

O ritmo desse livro é um pouco lento, já que ele é longo com suas quase 500 páginas, mas é necessário que seja assim já que é preciso apresentar o mundo dos Caçadores de Sombras para Clary e o leitor. Apesar disso nós temos algumas lutas com demônios e o final é de tirar o folego, sendo impossível de largar o livro nas suas últimas 100 páginas de muita ação, revelações e traições.

Mas o que faz esse livro ser um dos meus favoritos é os seus personagens, os que mais brilharam nessa segunda leitura foram Simon, Alex e Isabelle. Na primeira vez em que li, tinha tantas coisas para aprender e estava tão focada em Clary e sua missão de salvar a mãe que muitos detalhes dos outros personagens passou batido, agora que já conheço todos um pouco melhor pude notar seu crescimento ao longo da série e ver de onde eles eram, até onde chegaram e é algo incrível – especialmente com Alex, ele era um dos meus personagens menos favoritos no começo, o que antes passava como um garoto irritante e mimado agora eu vejo como seu jeito de mostrar amor e lealdade a sua família.

Para os casais também, na primeira leitura meu foco total era em Clary e Jace, mas agora sabendo quais casais iram se formar no futuro foi muito mais gostoso de ler cada interação deles e se deleitar nos pequenos detalhes. O relacionamento que eu mais gostei nesse livro foi o da Clary e Luke, apesar dele ficar ausente boa parte do livro as cenas delas sempre me ganham, e é claro que ver o relacionamento de Hodge com os Lightwood/Jace foi mais doloroso dessa vez.

Apesar de ter umas passagens mais fracas – como a motivação inicial do circulo que dessa vez não me convenceu nem um pouco e de o vilão ser basicamente um Hitler/Voldemort 2.0, além do fato de que eu nunca vou superar o fato de que o Jace nunca tinha visto uma imagem do Valentine, tipo sério, eu acho isso impossível e é uma coisa que a série conseguiu fazer muito melhor – eu ainda amo essa série e esse livro sempre vai ter um lugar especial na minha estante.

Recomendado para leitores buscando uma nova série de fantasia para ler e que não se importam com livros/séries longas – porque serio, depois de que tu começa uma série dos Caçadores de Sombra, se prepara porque tu vai acabar lendo várias outras.

Anúncios

Seraphina por Rachel Hartman

29739822

Seraphina por Rachel Hartman
Série: Seraphina #1
Publicado em 2013 pela Editora Jangada

Sinopse: Neste livro você vai conhecer Seraphina Dombergh, uma garota de 16 anos com grande talento para a música e que possui um terrível segredo. A história se passa no reino medieval de Goredd, onde seres humanos e dragões convivem em harmonia durante décadas, desde a assinatura do Tratado de Paz. Criaturas extremamente inteligentes que podem assumir a forma humana, os dragões frequentam a corte como embaixadores. Seraphina se torna assistente do compositor da corte justo quando um membro da família real é assassinado bem ao estilo dos dragões. O clima começa a ficar perigosamente tenso e Seraphina passa a colaborar com as investigações, ao lado do capitão da Guarda da Rainha, o Príncipe Lucian Kiggs. Durante essa jornada que pode destruir a paz entre humanos e dragões, a fachada cuidadosamente construída por Seraphina começa a desmoronar, tornando cada vez mais difícil manter seu segredo, cuja revelação seria catastrófica em sua vida.

Seraphina foi um livro que eu comprei lá em 2013 por inúmeras recomendações, tanto de blogueiros falantes de inglês quanto brasileiros, mas acabou ficando sentado na minha estante até o começo desse ano – em parte porque eu sempre fico intimidada por livros de fantasia, e em parte porque eu estava esperando conseguir a sequencia porque eu odeio esperar.

Mas, finalmente, no em janeiro desse ano eu decidi que iria ler essa duologia e acabei me surpreendendo. Primeiro, ele não era nada do que eu esperava, apesar de ser fantasia a história central é um mistério, uma morte ocorre logo no começo da história e a partir dai a maior parte do livro se dedica a procurar se o que ocorreu foi um acidente, um assassinato e se foi assassinato, então por quem foi cometido. Eu adorei os aspectos de mistério, já que adoro uma boa história de detetive e a Seraphina se encaixou muito bem nesse papel, também tornou a leitura mais rápida do que eu esperava, já que fantasias geralmente são densas de digerir, mas a vontade de descobrir o que iriamos descobrir a seguir fez com que eu continuasse lendo.

Os aspectos fantásticos são bem poucos na realidade, a fantasia aqui é mais similar a do universo do Game of Thornes do que Harry Potter. Os dragões desse universo são contidos e por isso não temos grandes demonstrações de seus poderes, toda a magia envolvendo eles é cheia de superstições e por isso evitada, assim a história acaba focando muito mais em desenvolver as políticas desse reino e dos humanos x dragões. Eu estava assustada com esse aspecto, porque sempre que li resenhas dizendo que o foco era a política pensava “ugh, já é difícil entender política da vida real, imagina eu tentando quebrar a cabeça e entender a de um livro”, mas não é preciso se preocupar, eu nunca me senti perdida lendo ele e me diverti com essa parte da história – não é nada tão complexo como GoT, mas sim algo mais similar com o feudalismo europeu.

Sobre os personagens, eu tenho que dizer que adorei Seraphina, ela é complexa e forte, mas não no sentido clássico da palavra, ter que esconder metade do que ela é a vida toda torna-a uma personagem dualista – talvez uma das poucas nessa história que tem a capacidade de ver os dois lados dessa guerra. Eu não curti muito o romance, honestamente preferia que ele não existisse, nunca senti nenhuma química entre Seraphina e Lucian, e as implicações morais do envolvimento entre eles torna isso mais negativo aos meus olhos. O relacionamento que eu mais amei foi o da Seraphina com o seu tio, a ligação entre eles é linda e tão poderosa, em um momento quase chorei.

Seraphina é um livro para aqueles amantes de fantasias e mistérios, que buscam algo no setor juvenil que não fica dentro do cliche, apesar de usar um set batido em fantasias (europa medieval) e dragões não serem exatamente algo inusitado esse livro consegue pegar os dois e nos trazer algo novo, inovador e cheio de entretenimento.

 

O Chamado do Monstro por Patrick Ness

12483970

Conor é um garoto de treze anos que recebe um chamado muito diferente em uma noite, o chamado de um monstro. A primeira vez acontece ele acredita que foi só um sonho, mas o monstro continua a aparecer e a cada vez um sinal  a mais mostra que o monstro é real, a partir dai Conor precisa decifrar porque o mostro continua aparecendo, não é para amedronta-lo e sim para outra coisa…

Apesar de ter uma linguagem destinada a um publico mais infantil esse livro deve ser lido pelo público de todas idades, sem restrições, não se intimide pela classificação essa história deve ser lida por todos, porque é incrivelmente linda. Esse é o meu primeiro (e único até o momento) livro que eu li do Patrick Ness, mas eu definitivamente quero ler outros títulos dele, o jeito que ele contou essa história me deu falas lindas para marcar e despertou todas emoções em mim.

A história de Conor é algo estranhamente comum, eu não vou dizer porque acho que pode estragar a história em si (que já é tão curta), mas basicamente Conor é um garoto de treze anos nada comum, ele vem passando por um tempo difícil – que é difícil em qualquer idade, mas aos treze anos pode acabar se tornando algo traumático até – e estranhamente quem vai ajuda-lo é um monstro.

O jeito como a história misturou a vida de Conor, com a história do monstro foi perfeita, eu normalmente não gosto muito de livros que misturam dia a dia com fantasia, normalmente eu acho eles mais difíceis de se conectar com os personagens e com a história em si, mas não nesse caso, nesse caso os aspectos fantásticos foram necessários para o desenvolvimento da história e eu não vejo como poderia ter sido contada de outro jeito.

Eu acredito que essa história vai te tocar de um jeito que poucas histórias conseguem. Eu sei que ela me tocou, me fez chorar, rir, meu coração ficar alegre e triste ao mesmo tempo, e se tornou com certeza um dos meus livros favoritos de todos os tempos.

O chamado do Monstro foi publicado aqui no Brasil em 2011, pela editora Ática.

Don’t Even Think About It por Sarah Mlynowski

12483970

Don’t Even Think About It conta a história de uma turma de estudantes que desenvolve poderes de se comunicar por pensamento e ler os pensamentos das pessoas a sua volta quando toma uma vacina para gripe que não era exatamente uma vacina para gripe. Misturando drama escolar com o paranormal esse livro tem um tom de Mean Girls e Gossip Girls com muita risada no caminho.

Primeiramente eu tenho que dizer que amei esse livro, a sinopse pode parecer estranha e o livro tem uma ideia totalmente diferente mesmo, mas a questão é que o humor presente no livro me vendeu. Eu não me lembro de rir tanto (nem tão alto) lendo um livro em muito,  muito tempo, os poderes psíquicos deram espaço para as mais variadas situações e confusões.

O livro também acaba dando maior atenção para a parte do drama escolar, romântico e familiar do que para a parte paranormal da história, veja bem quando esses adolescentes descobrem seus poderes eles não estão prontos para salvar o mundo do mal ou até mesmo descobrir o que aconteceu com eles. Algumas se preocupam mais em como conseguir um encontro com o cara de quem gosta, outras em descobrir se o cara gosta dela, outros acabam ouvindo dramas familiares que nem tinham ideia, enfim coisas básicas do dia a dia, e isso pode ser uma decepção para quem leu a sinopse e esperou uma leitura mais paranormal.

A narrativa pode ser confusa para algumas pessoas também, já que o narrador se denomina “nos” e realmente é um grupo de 20 e poucas pessoas contando a história, mas dentro dessa narrativa nos temos olhares dentro da vida privada de apenas alguns desses estudantes. Comigo esse estilo funcionou e apesar do livro ser curto eu me apeguei aos personagens, torcia pelos relacionamentos deles e para tudo se ajeitar no final.

No final das contas “Don’t Even Think About It” é uma das minhas leituras favoritas de 2014 e eu tenho certeza de que muita gente não vai gostar desse livro, mas para mim foi uma das leituras mais felizes que eu já tive. O título foi publicado em março nos USA, pela Delacorte Press.

 

Top Ten Clues You’re Clueless por Liz Czukas

18163646

Chloe tem que trabalhar na véspera do natal, o que deveria ser uma chatice, mas como todos os empregados da GoodFoods também vão ter que trabalhar isso significa que Tyson, o garoto por quem Chloe tem uma queda a tempos, vai estar lá também. Tudo parecia ir como o esperado até que a caixa de caridade da loja é roubada e pior, todos os empregados menores de idade estão sendo acusados do roubo. Agora Chloe tem que ficar após seu turno trancada com um monte de garotos e garotas que ela não conhece e tentar livrar seu nome das acusações.

Esse livro é difícil de classificar como bom ou ruim porque eu tive reações diferentes para ele, diferente do outro livro de Czukas eu não me senti tão investida nos personagens desde o começo da história. Nos sempre seguimos a narrativa de Chloe, a personagem principal, uma garota bem quieta e sem muitos amigos – não só no seu local de trabalho, mas em geral – e apesar de ser fácil de simpatizar com ela em alguns pontos eu fiquei frustada com as atitudes dela, como com relação a sua diabetes.

Também achei que, apesar do livro ser extremamente curto, a história se arrastava, como se não tivesse trama o suficiente para preencher as páginas e me senti entendiada em mais de um momento do livro, principalmente no começo da história. Mas em outros pontos esse livro também conseguiu ser  hilária – o que é sempre bom em um livro, e acho que no final a história me ganhou, comecei a gostar mais dos personagens e simpatizar com todos eles, e acredito que da metade em diante o sentimento de tédio desapareceu da história.

Basicamente esse livro é a história de pessoas completamente diferentes que acabam sendo jogadas em uma situação juntas em que os força a se conhecer melhor e trabalharem juntos para limpar seus nomes. Acho que o fato de ser uma história de natal da um toque a mais, já que é realmente algo perfeito para ler na véspera do natal – é um livro cheio de doçura, esperança e amizade.

Recomendo ele para fãs de histórias de natal e também para fãs do gênero contemporâneo. O livro foi publicado em dezembro desse ano, pela Harper Teen, e o nível de inglês é básico.

 

To All The Boys I’ve Loved Before por Jenny Han

13316289

To All The Boys I’ve Loved Before é o mais novo título da autora Jenny Han, mais conhecida por seus outros livros: O verão que mudou a minha vida e Olho por olho, já publicados aqui no Brasil pela Galera Record e Novo Conceito, respectivamente. Apesar de não ter lido nenhum desses títulos fiquei curiosa com todo o burburinho em cima do novo lançamento da autora e resolvi checar e descobrir por mim mesma do que se tratava.

O livro vai contar a história de Lara Jean, uma garota de dezesseis anos, que escreve cartas para todos os garotos que ela já gostou como um mecanismo para lidar com o fim do relacionamento/queda, nessas cartas ela coloca todos os porquês dela gostar do garoto e o que ela odeia também, tudo extremamente pessoal e que deveria ser privado. Até que um dia todos os garotos começam a receber essas cartas da Lara Jean, sem saber quem as mandou uma série de confusões começam a acontecer.

E que confusões hein? Eu não quero dizer muito porque acredito que seria spoiler, mas a vida amorosa da Lara Jean fica exponencialmente mais interessante depois que as cartas são mandadas. E eu fiquei dividida enquanto lia o livro sobre com quem eu queria que a Lara Jean ficasse porque gente, é confuso! Todas situações são… delicadas, e ugh.

Mas isso também deu lugar para muitas risadas ao longo da história, Peter, um dos personagens, tem um humor que é exatamente o meu tipo com tiradas sarcásticas e eu não conseguia evitar e ria todas as vezes.

E apesar de ter bastante romance na história não é algo que é feito de modo excessivo, pelo menos não achei, no meio do romance nos temos várias cenas do dia a dia familiar da Lara Jean, já que ela esta sofrendo uma tremenda mudança com a ida da sua irmã mais velha para faculdade na Europa, tendo que assumir o papel de responsável da casa (já que sua mãe morreu quando elas eram crianças) e tentando lidar com a irmã mais nova do melhor jeito possível. Essa história pintou esse retrato de forma muito realista e me fez desejar ter irmãs que eu pudesse ter um relacionamento como o delas.

Outra coisa que se destacou nesse livro foi a escrita, como eu disse acima eu nunca tinha lido nenhum livro pela Jenny Han, mas assim que eu terminei esse fui correndo stalkear ela, porque durante todo o tempo que eu estava lendo esse livro eu fiquei com um sorriso bobo no rosto tinha momentos que eu me perguntava: porque eu to rindo? nem é uma cena tão engraçada assim! Mas eu não conseguia parar de ter aquele sentimento de que tudo estava bem no mundo enquanto eu estava lendo esse livro.

Assim que eu terminei eu fiquei: OMG CADÊ O SEGUNDO LIVRO? Eu não sabia que era uma duologia até terminar o livro e aquele final ugh, pior cliffhanger ever. Esse livro foi publicado nos USA em abril desse ano, pela Simon & Schuster Books For Young Readers. Eu indicaria ele para todo mundo que tem um nível básico de inglês e esta tentando engrenar em uma leitura mais fácil para começar a ler em outra língua. 

 

Os 13 Porquês por Jay Asher

17381989

Os 13 porquês conta a história de duas pessoas: Clay, o garoto que recebe as fitas e que é o nosso personagem principal e Hannah, a garota que gravou as fitas para 13 pessoas, as 13 pessoas que ela diz serem responsáveis pelo seu suicídio.

Apesar de o tema suicídio estar presente no livro, não é um livro sobre suicídio e sim um livro que mostra como as ações de uma pessoa afetam as outras, tem uma frase do livro, que eu não lembro exatamente como é que me marcou por ser tão real, que é mais ou menos assim: quando uma pessoa bagunça com uma parte da sua vida, ela não esta bagunçando apenas com aquela parte, mas com toda a sua vida. E é verdade, quando se tem um problema em casa acaba afetando no trabalho e no seu relacionamento com outras pessoas também, o problema não consegue ficar em casa como dizem.

a Hannah, a narradora das fitas, nos conta como ela começou a sofrer primeiro de rumores sobre sua ficado com um garoto, a perda de amigos e dai em diante, como essas coisas podem parecer pequenas e insignificantes para quem cometeu os atos, mas como colocadas juntas fizeram com que ela desistisse de tudo. 

Eu acredito que “Os 13 porquês” passa uma lição de moral que todos nos já devíamos ter aprendido: como nossas ações e palavras afetam outras pessoas, para bom e ruim. Porque vai dizer, quem nunca ficou pensou por horas em cima de um comentário que alguém fez sobre você?

O livro foi publicado aqui no Brasil em 2009 pela editora Ática.